Bodhidharma (J. Daruma): o vigésimo oitavo Patriarca na linha do Buda, o primeiro Patriarca do Zen na China. Os estudiosos não estão de acordo quanto à data da ida de Bodhidharma da Índia para a China, ao tempo em que permaneceu ali e a ocasião de sua morte; contudo, e geralmente admitido pelos budistas Zen japonesesque ele foi de barco da Índia ao Sul da China cerca do ano 520 e, após uma curta tentativa fracassada de estabelecer ali seus ensinamentos, foi para Lo-Yang no Norte da China e finalmente se fixou no Templo Shorin (Shao-lin), localizado no Monte Su (Sung-shan). Ali praticou tenazmente o zazen durante nove anos, razão pela qual esse período veio a ser conhecido como seus "nove anos defronte da parede".
Bodhidharma e Eka (Hui-k’o), seu discípulo a quem transmitiu o Dharma, são os personagens do quadragésimo primeiro Koan no Mumonkan,assim como de uma famosa pintura de Sesshu, o maior pintor japonês. Eka, um estudioso de certo renome, queixa-se a Bodhidharma, que está em silêncio fazendo zazen, de que não tem paz de espírito e pergunta como pode adquiri-la. Bodhidharma manda-o embora dizendo que a consecução da paz interior exige longa e severa disciplina e não é para os presunçosos ou pusilânimes. Eka, que tinha ficado do lado de fora, na neve, durante horas, implora a Bodhidharma que o ajude. De novo é repelido. Em desespero, ele corta sua mão esquerda e a oferece a Bodhidharma. Convencido de sua sinceridade e determinação, Bodhidharma aceita-o como discípulo.
Se, historicamente, estes episódios são reais ou não, importa menos que o fato de revelarem simbolicamente a importância dada pelos mestres Zen ao anseio pela paz de espírito, ao zazen, e à sinceridade e humildade, perseverança e fortaleza como pré-requisitos para a consecução da mais elevada verdade.
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